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Uma coisa é fato: gays adoram a vida noturna. Sair, dançar,
beber, encontrar os amigos, ensaiar um bom carão e é
claro, caçar. Se alguém duvida, que vá até
a porta de qualquer boate gay da cidade num final de semana. Com
certeza irá encontrar gente animada, fervida e filas e mais
filas.
Muitos levam a noite gay numa boa, como forma de diversão
desencanada. Por exemplo, dificilmente em um espaço hetero
você irá dançar como dança num espaço
gay, sem ser notado ou simplesmente caçar sem correr o risco
de cair num grande equivoco. Assim, muitos gays encaram a noite
como um espaço neutro para exercer sua homossexualidade.
Isto é, poder "sair do armário", fazer o
que quiser fazer sem grandes problemas quanto à mácula
de sua masculinidade ou ainda, caçar outros homens, fazer
a linha "banheirão" ou simplesmente abrir o dark-room
no início da noite e só sair de lá quando o
dia já está para nascer.
Tanto para o gay que exerce sua homossexualidade de forma plena,
quanto para o gay que camufla a sua homossexualidade - os famosos
enrustidos - a noite funciona como forma de convívio, como
meio de agregar sentimentos e expectativas comuns. Como isso funciona?
Funciona de forma democrática no sentido de estar aberta
a tudo e a todos, de pregar a liberdade, mesmo que seja pautada
por elementos que não são de fato reais, como por
exemplo, a magia e o glamour estabelecidos pela noite. Ninguém
pode negar que num espaço assim, podemos ser o que quisermos
ser, podemos falar o que quisermos falar e além de tudo,
estamos juntos, mesmo que às vezes não pareça,
aos que passam
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pelas mesmas questões,
dificuldades e anseios de ser gay em uma sociedade plenamente machista,
preconceituosa e classista como a nossa.
Em casos mais concretos, para se medir a forma com que a homossexualidade
está diretamente relacionada à noite, basta levantar
alguns signos representativos ou até fenômenos como por
exemplo, a drag-queen, que no Brasil explodiu para o mainstreen a
partir das baladas gays dos anos noventa, ou ainda todo um segmento
clubber, além da música - a house music é originária
de boates plenamente gays norte-americanas como "Garage"
e "Paradise", de Nova Iorque. Isso sem falar da moda/modismos,
dialetos, entre outros. Assim, conclui-se que a noite gay tem seus
códigos próprios que são assimilados não
só por seu público específico, mas também
por um público geral, ávido por novidades e experimentações.
Apesar de exercer em alguns casos um caráter de segmentação
- nem todos os espaços são acessíveis a todos
- a noite gay é importante no sentido de desmistificar o gueto
e fortalecer todo o segmento. Hoje, nem só de gays é
feita nossa balada. Há heteros, os famosos "s" da
sigla datada GLS que freqüentam nossos espaços numa boa.
Mesmo que no dia seguinte, voltemos a nossa vidinha comum, é
importante saber que existe um espaço aberto para nós,
para que possamos ser o que somos, sem nos preocuparmos com o que
os vizinhos irão falar. E já que para a grande maioria
o gay é fervido por natureza, animado e topa qualquer parada,
assumimos assim a nossa vocação sem culpa nenhuma. E
como diziam num antigo programa de televisão: "Viva a
Noite!Viva!Viva!Viva!"
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